380 anos em 8 horas – Rio Pardo – RS

Rio Pardo - WillOrtiz 057

Dia 04 de janeiro de 2013, 1:00 a.m. Ao som de cantor tradicionalista gaúcho chamado Wilson Paim me veio a saudade de um lugar que ainda não havia tido a oportunidade de conhecer, porém por contos já a conhecia desde gurí, pois é a cidade natal da minha mãe. Na fascinante internet pesquisei passagens, pontos turísticos e curiosidades sobre Rio Pardo, arrumei a mochila e aguardei o sol aparecer. Cedo ainda coloco a mochila nas costas e vou para a rodoviária de Porto Alegre, uma conversa aqui, outra ali me motivou ainda mais por esta viagem. Sabia que teria que visitar os lugares mais importantes de Rio Pardo em pouco tempo, ainda mais que esta cidade tem 380 anos de histórias eu tinha apenas 8 horas para conhecê-la, pois minha passagem de volta estava marcada pra às 18h do mesmo dia.

Embarco no ônibus e vendo a natureza adormeço, precisava disso há muito tempo, sinto falta do contato com essas paisagens e o cheiro da terra. Como Rio Pardo fica apenas 140 km de Porto Alegre, em 2h já estava chegando à cidade. Em uma folha de oficio eu havia feito um roteiro “necessário”: Rua da ladeira, casa de cultura, museus, forte Jesus, Maria José, solar Panatieri, antiga estação ferroviária e em algumas igrejas, além de comprar o jornal local da cidade.

Apesar da pressa nada de ônibus, muito menos taxis, a cidade é pequena. Primeira parada centro regional de cultura rio pardo, construído entre 1848 – 1882 para abrigar um hospital, porém nunca foi utilizado para este fim, sendo passado para a comunidade de caridade da região. Dois anos após a construção foi repassado para a utilização das tropas imperiais e sucessivamente para abrigar a escola militar do Rio Grande do Sul por 45 anos. O prédio foi restaurado pela associação dos ex-alunos da escola auxiliadora, sediado ali alguns anos antes e hoje esta conservadíssimo.  Assim fui caminhando na avenida principal, tirando fotos e conversando com os moradores, passei por igrejas, prédios históricos e museus.

Na porta do restaurante um menino de 17 anos (depois pelos cálculos descobri que tinha 17), vendia o jornal de Rio Pardo, disse vender o jornal há 8 anos e havia começado aos 9, e gostava do que fazia, transmitir informação a população. Conversei um pouco com ele, me deu boa sorte e um bem vindo a cidade, menino gente boa.

Visitei todos os pontos planejados e ainda mais alguns, valeu a ajuda de uma prima e meus tios que estavam na cidade e na parte da tarde me deram carona para os lugares mais afastados. Na espera por eles, uns 10min parado, percebi que todos se cumprimentavam, diferente, bonito.

Mas o que mais me impressionou foi a visita ao museu histórico barão do santo Ângelo, a funcionaria me recebeu muito bem e conversamos por uns 30min. Tantas obras de arte que deveriam estar em um estado de conservação extremamente mais seguros ali, na parede com infiltração, isso me deixou chocado, a historia correndo literalmente por “água a baixo”. A casa inicialmente era de uma família açoriana, no primeiro piso o comercio e a senzala dos escravos domésticos, que me fez refletir muito sobre a irracionalidade do homem, no piso de cima a casa da família, que também comercializava escravos. Corro para a igreja da lenda da noiva, tiro mais fotos e vou pra rodoviária novamente, com dor no peito, pois gostaria muito de ficar. Terão outras oportunidades, mas essa foi sensacional.

380 anos em 8 horas, a cidade da minha mãe, dos meus avós, da historia do meu tão querido Rio Grande. Em  alguns segundos o sol pintando de vermelho o céu, não já conseguia mais encontrar a cidade de dentro do ônibus, foi bom. Tudo planejado em 1 hora na madrugada anterior, uma pitada de curiosidade e muita vontade me fizeram passar um dia recheado de histórias e memórias fantásticas. Uma frase do Aírton Ortiz me resume naquele momento: ” a nossa vida é o resultado dos livros que lemos, das viagens que fazemos e das pessoas que amamos”. Portanto, leia, viaje e ame. Procure visitar e dar valor a nossa cultura, ao nosso passado, porque sem ele não conseguimos projetar nenhum futuro.

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